1 – É muito importante ter uma formação para atuar no Coaching de Um para Muitos. Evite se aventurar nesta modalidade sem proficiência e experiência. Além de ser uma ação inadequada e inapropriada, você poderá ter problemas com o processo e com o cliente lá na frente.
2 – Faça cursos acreditados à International Coach Federation. Aqui você correrá o bom risco de ter uma formação de excelência. Tudo é avaliado pela área de Acreditação da ICF e da EMCC: o conteúdo programático, o coach responsável pelo programa e a sua experiência, quem faz parte do corpo docente, o alinhamento do conteúdo com as 8 competências e as 29 subcompetências coletivas, a experiência dos professores e dos supervisores, e se o corpo docente detém credenciais ACTC, MCC, PCC, ACC da ICF e ESIA / EMCC.
3 – Pratique as Competências ICF ao interagir com seu cliente, inclusive na sessão zero. Neste momento, você terá a oportunidade de explicar o que é coaching e o que não é, além de apresentar as 6 modalidades de desenvolvimento de equipes.
4 – Estimado colega Coach, não busque vender coaching de equipe logo na 1ª reunião. É muito comum, ao apresentarmos os conceitos de cada modalidade ao cliente, ele vir a perceber qual é a sua real necessidade. Outras abordagens podem ser contratadas e inaugurar ali um grande projeto de desenvolvimento humano que pode durar na empresa ao longo de 12 a 24 meses.
5 – Uma dica de ouro: se a equipe não se conhece e muito menos se reconhece, não é a hora do coaching de equipe. Esta modalidade requer proximidade, consciência e um espaço psicologicamente seguro para a prática de um diálogo profundamente reflexivo. É preciso prepará-los para viverem esta modalidade de desenvolvimento.
6 – É muito importante, no processo grupal, termos mais de um par de olhos, ouvidos e uma boca. Se o grupo ou a equipe tem mais de 5 membros, recomenda-se ter um co-coach no processo.
7 – Outra dica de ouro é gerar também um acordo ou contrato de coaching entre você e o coach assistente. Lembre-se de que, para o cliente (equipe), você e o coach assistente poderão ser um role model de inspiração para eles.
8 – Tenha um supervisor para chamar de Seu. É muito importante estar com um Eu de confiança, imparcial e que também seja coach neste grande projeto. O processo grupal é carregado de sinais e demandas conscientes e inconscientes, e você, em algum momento, pode ser abduzido. Por mais que seja “fera”, é importante ter alguém imparcial de sua confiança para lhe ajudar a estar de mãos dadas com a Visão Super do processo de coaching.
9 – Participe de rodas de conversas, seminários, colóquios e congressos com outros coaches de grupos e equipes. Isso é de grande valia, pois amplia e empodera nossas boas práticas de coaching. Lembre-se: as abordagens teóricas não são partidos políticos. É muito importante estudar várias delas, pois sempre haverá uma que será o “número certo” para aquele cliente. Expanda e amplie seus conhecimentos.
10 – Tenha um Diário de Bordo para cada grupo ou equipe. Isso ajuda muito a visualizar a construção do processo e do produto.
11 – Faça pelo menos um curso de atualização por ano. Se você trabalha com desenvolvimento profissional, lembre-se de que seu “machado” deve estar sempre afiado.
12 – Lembre-se de que toda equipe é um grupo de pessoas, mas nem todo grupo de pessoas é uma equipe. Os reinos do coaching de grupos e equipes são parecidos, mas parecido não é igual.
13 – Um caminho filosófico muito interessante para se pensar o coaching de equipes é visualizar que saímos do Eu, rumo ao espaço do Nós, onde o mantra “Um por Todos e Todos por Um” é sentido nas vísceras. Trabalhe com o foco na entidade única.
14 – Já no coaching de grupo, o processo é inverso: se dá através da 1ª pessoa do plural – o Nós – rumo ao Eu – 1ª pessoa do singular. A sabedoria coletiva gera uma prateleira imaginária, onde o espaço do Nós dá de beber ao espaço de cada Eu. Somos genuinamente coletivos; nascemos a partir de uma duplicidade (óvulo e espermatozoide), temos um grupo dentro do Eu.
15 – Lembre-se: o silêncio é uma ferramenta de intervenção mega valiosa. Não o acelere.
16 – Costumo dizer aos meus alunos, colegas e clientes duas super dicas que carecem ser tatuadas na pele: Estranhe o Familiar e Familiarize o Estranho. Ou seja, confronte-se com a seguinte pergunta: Por que faço o que faço? Como será conhecer o novo? Vou me experimentar para ver como funciono. Estranhar o que lhe é Familiar e Familiarizar o Estranho é simplesmente uma aprendizagem maravilhosa!
17 – Lembre-se: o Coach faz perguntas abertas e imparciais. Não dá respostas nem sugestões. Quem deve suar a camisa é o grupo e/ou a equipe.
18 – Ter na manga um recurso disparador é sempre super bem-vindo. Sinta o campo e busque inspirações nas poesias, músicas, jogos, pinturas, esculturas, livros infantis ou trechos de livros de adultos. Esses recursos artísticos geralmente são muito úteis e férteis.
19 – As regras de funcionamento de um processo de coaching coletivo, seja em grupos ou equipes, devem ser cocriadas na 1ª sessão e revisitadas logo na 2ª sessão. Caso algum membro lembre e deseje incluir mais uma regra, vale ressaltar que, quando o grupo ou a equipe estiver lidando com uma situação inédita ou não prevista, vale parar tudo para discutir como resolverão juntos o dilema de forma coletiva.
20 – Outra dica de ouro com brilhante na ponta: “Todo Ponto de vista é só a Vista de um Ponto”. Estamos diante de uma competência mega blaster importante para os processos grupais – O olhar multifacetado ou caleidoscópico sobre o fenômeno.
21 – Seja assinante da Revista Coaching Brasil. Aqui você encontrará artigos, textos, colunas, trechos de teses e matérias incríveis sobre Coaching e Desenvolvimento Humano profissional – um verdadeiro Djunta-Mô entre os coaches profissionais.
Referências Bibliográficas
Dulce Soares é Psicóloga no Brasil e em Portugal.
Mestra em Educação, especialista em Psicopedagogia, Psicanálise, Grupos Operativos e Psicologia do Desporto. Trabalha com Desenvolvimento humano há 32 anos, acredita fortemente que o Espaço do Nós pode ser tecido por cada Eu, formando uma Rede de pessoas e profissionais que aprendem e entendam de uma vez por todas que para o Outro você também é o Outro numa verdadeira “Dança de Eus.”